sábado, 25 de marzo de 2006

Desolado


Un oxímoron costumbrista pasea sus patitas pegajosas por algunos rincones de la grotesca comedia humana.
¿Quién sigue despierto cuando todos duermen?

martes, 21 de marzo de 2006

Hoje não escrevo



Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelo (infiel) do dicionário.

O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possivel contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - à vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa berta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.

Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.

Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de pratocá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.

E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...

Então hoje não tem crônica.

Carlos Drummond de Andrade

miércoles, 15 de marzo de 2006


Un abismo doméstico


Se adhiere al contorno, a la higuera, a los madrigales. A la perpetua búsqueda de la maravilla asfixiante. Y en el desvarío patético donde cree lo que nunca, lo que siempre quiso creer, una embarcación austera pero sana, le indica dónde se encuentran las paredes que ya conoce: esas con vidrios para caminarlas, para no saltarlas compitiendo con maullidos en la altura.

El tren que sabe del enorme vacío que le quiebra el paladar, no comprenderá mayores razones, no soñará en su pelo para tejer trincheras efímeras en alguna tarde de otoño.

domingo, 26 de febrero de 2006

Futuro Inmediato


Y si en el destino se encontrara, yo no lo sabría.
La ceguera voluntaria de todo tránsito urbano, tan taxi, tan demora disfrazada de colectivo
convence transeúntes desolados, sin intuir siquiera que el mundo es otro asunto, que el testaferro de la vida no tiene escapatoria válida.


Pero el café con leche borra cualquier anhelo que se gritó en sueños.


Sin un suspiro, el mundo sale; los papeles, la mañana, el cansancio que vuelve. Las ganas de volver, de quedarse, las mentiras de cada uno, el verso de cada día, el padrenuestro, el conformismo


insostenible


la pena con todos, por todos, por todo
buscando ese latido que debe resistir
aunque se escuche lejano.

Silente despojo

Con la bruma y sin aliento
con los dientes desgastados
el rencor, el miedo,
los suburbios anímicos.


El mismo mañana agolpado
en cada indecisión triangular
de la calesita cósmica
del límite de lo infinito.













La misma mirada doliente
la trampa de los sueños
unas dagas perdidas
en traiciones de anhelos.


La misma mano que besa,
los ojos que acarician
idéntico azúcar punzante
sobre el discurso de labios en el abismo.


Ajena espera,
la nostalgia anticipada,
su segura derrota.

lunes, 20 de febrero de 2006

Grieta de ojos oscuros

Here, there, anywhere

Así la conciencia al alba, los reflejos.
Así el desamparo, el don, la maravilla,
las frases hechas, los peldaños que hechizan
un sueño suave en el solar de tus dedos.

Así tu recuerdo, el erial, las plateadas
almas mudas que pisaron este cielo,
el suspiro preso, el temor, los confines
de una noche ausente, de las telarañas.

Así una avalancha desgrana los rumbos
así hace turismo sobre una cornisa.

Así pueden ser sucesivos los puntos
y desploma el aire sobre una sonrisa.

sábado, 18 de febrero de 2006

Non ho proprio niente da dire, ma lo voglio dire lo stesso.


Intromisiones que merecen la pena:


Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?


Carlos Drummond de Andrade




Hinojo, serpiente y junco.
Aroma, rastro y penumbra.
Aire, tierra y soledad.
(La escala llega a la luna.)


Federico García Lorca




Para leer en forma interrogativa


Has visto
verdaderamente has visto
la nieve los astros los pasos afelpados de la brisa
Has tocadode verdad has tocado
el plato el pan la cara de esa mujer que tanto amás
Has vivido
como un golpe en la frente
el instante el jadeo la caída la fuga
Has sabido
con cada poro de la piel sabido
que tus ojos tus manos tu sexo tu blando corazón
había que tirarlos
había que llorarlos
había que inventarlos otra vez.


Julio Florencio Cortázar